sábado, 9 de outubro de 2010

O amor .



      O amor que um dia era recíproco parecia ter sumido por entre as árvores daquele lugar. Os sorrisos já tinham se acabado. E ela nem sabia ao certo o que aconteceria. Ela voava, saía do chão e suas pernas já não alcançavam mais a velocidade do seu corpo. Os sentimentos estavam estagnados, pelo menos parecia que estavam. Ela ama. Mas agora isso já não passava mais de um futuro do pretérito indicativo: Amou.

      Olhou para os lados e se sentiu bem. Não completamente, mas estava bem ao ponto de continuar vivendo. A sua vez no amor parecia que nem tinha começado. Ou tivesse começado, mas já havia se partido. O Adeus dói. Mas não mais do que a ilusão de ter acreditado que o pra sempre dessa vez não acabaria.

      A sua voz ecoou junto com vento que chorava por paz. Nada mais que isso. O céu chorava, ela não conseguia nem acordar pra vida. Continuava ali, partida, mas intacta a qualquer marca das lágrimas que tentavam a dominar. Nem tudo estava bem, mas ela fingia. Dizia que estava bem pra não precisar contar toda a história da sua dor. Fingia para não chorar.

      Talvez ela devesse seguir, devesse acordar. Talvez ela devesse até dar mais uma chance para o amor. Mas não, ela não queria. Estava iludida. E continuava iludida com a sua dor.

      Talvez a ilusão não fosse tão forte. Talvez poderia até ter se enganado. Mas as coisas já não tinham mais sentido.
(Letícia Nogara)

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